Moda sustentável: um guia prático para começar!

Por Li na Linus.

Depois que entendemos que não existe um planeta B para a gente viver, e que precisamos agir para que este planeta consiga sobreviver aos nossos impactos, a palavra sustentabilidade começou a fazer parte do nosso dia a dia.

Ela alcançou diferentes lugares da sociedade, e não iria demorar muito para chegar na moda.

Hoje, as marcas estão sendo cobradas pelos consumidores para diminuírem seus impactos no meio ambiente. Mas será que a moda causa tanto impacto assim?

Moda sustentável: um novo caminho para se vestir

Hoje, a indústria da moda vem tendo novos olhares a respeito da sustentabilidade. Mas nem sempre aqueles que se apropriam do termo realmente absorvem tudo o que ele traz.

Na medida em que vamos tomando consciência dos impactos que causamos ao planeta, mais e mais ampliamos nosso olhar crítico para os produtos e os serviços que produzimos e consumimos.

Segundo um relatório feito pela McKinsey, em parceria com Global Fashion Agenda (GFA), a indústria da moda é responsável por 4% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Com um planeta cada vez mais quente, já estamos lidando com as consequências das mudanças climáticas no mundo inteiro, que tendem a piorar se não agirmos em conjunto para frear o aquecimento global.

Devido a essa preocupação e ao choque de realidade que relatórios como esses trazem, muitas marcas começaram a repensar a maneira que produzem e comercializam seus produtos.

Mas, afinal, o que é moda sustentável?

O tema sustentabilidade sempre foi e sempre vai ser polêmico. Afinal, as pessoas podem enxergar a sustentabilidade de maneiras diferentes.

Hoje, o que entendemos sobre moda sustentável pode-se dizer que são roupas, calçados e acessórios que são fabricados e comercializados de maneira que cause o menor número de impactos sociais e ambientais.

Isso quer dizer que essa preocupação deve estar presente em todo o ciclo de vida dos produtos. Desde a sua concepção, a escolha de matéria prima, a fabricação, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a durabilidade, a usabilidade, a reutilização, a reciclagem e até o seu descarte final.

Moda sustentável e impactos ambientais

Dentro das práticas de moda sustentável, está uma grande preocupação em minimizar qualquer tipo de impacto ambiental em todas as etapas do ciclo de vida do produto.

Isso quer dizer garantir um uso eficiente dos recursos naturais, que podem ser utilizados na sua fabricação, como a água, a energia, a terra, o solo, os animais, as plantas, a biodiversidade e os ecossistemas. Por exemplo, dando preferência para recursos renováveis de energia, como as energias eólicas e solares, no lugar de energias sujas e não renováveis, como petróleo, gás natural e carvão.

Também é possível aumentar o ciclo de vida dos produtos através de recursos como reciclagem, reparos e reutilização, não só dos produtos finais, mas dos produtos que fazem parte da sua produção.

Moda sustentável e impactos sociais

Outro aspecto que deve ter importância para as marcas que praticam uma moda sustentável é a preocupação com os impactos sociais dos seus produtos.

Ou seja, essas marcas devem trabalhar para proporcionar uma qualidade de trabalho e de vida decente e justa, que esteja alinhada com os padrões éticos e boas práticas mundiais, para todos aqueles que trabalham na produção dos seus bens ou serviços. Isso inclui os trabalhadores do campo, das fábricas, do transporte e da comercialização.

É dever das marcas também estimular um padrão de consumo consciente, sustentável e saudável, baseado na durabilidade, na reutilização e nas alternativas efetivas de reciclagem.

moda sustentável: Mãos femininas com agulha e linha para consertar roupas, close-up.

Como saber se uma marca pratica a moda sustentável?

Para ser uma marca de moda sustentável, é importante ir além de apenas usar produtos orgânicos e biodegradáveis e diminuir a pegada de carbono dos seus produtos.

A marca deve também promover uma preocupação com o meio ambiente de verdade, além do que é apenas visível comercialmente e nas ações de comunicação. Isso inclui preocupações sociais, como igualdade de gênero e a remuneração justa. E, claro, esses incentivos à diversidade precisam ir além das redes sociais.

Veja algumas dicas para você identificar essas preocupações nas marcas de moda que você gosta:

Fique de olho na matéria-prima dos produtos

A não ser que sejam feitos de tecidos vintages, upcycled ou reciclados, os tecidos ou materiais usados na fabricação dos produtos devem ser feitos de materiais recicláveis e renováveis, como linho, cânhamo, seda, entre outros.

Algodão orgânico também pode ser uma boa opção, pois é biodegradável. Porém, fique atento, pois se utiliza muita água na sua produção.

Também precisamos ficar de olho nos corantes utilizados. Embora seja muito difícil saber qual é o corante utilizado pelas marcas, normalmente, as que optam por utilizar corantes naturais passam por um grande processo de adaptação e produção e, normalmente, fazem questão de comunicar para os seus consumidores.

Os corantes sintéticos, além de serem muito tóxicos, poluem os rios no processo de lavagem dos tecidos.

Acessórios de madeira são muito legais e estão super na moda. Mas eles devem vir de madeira sustentável, como bambu e restos de madeira de fábricas, por exemplo.

Leia também: 10 Passos Para Iniciar Uma Vida Mais Sustentável

Veja se a empresa se posiciona a respeito de questões sociais importantes para você

Busque saber sobre as empresas além do que elas divulgam nas redes sociais.

É muito bacana as marcas se posicionarem a respeito de assuntos importantes, mas será que elas praticam esse posicionamento dentro das empresas?

Quantas mulheres, negros, LGBTQIA+, PCDs estão em cargos de liderança dessas empresas? Como os funcionários são tratados? Ela cumpre seus deveres trabalhistas?

Além disso, é importante saber. Essas marcas são comprometidas mesmo com a sustentabilidade? Elas praticam os 5 Rs da Sustentabilidade dentro das suas instalações?

Aprenda a questionar a procedência dos seus produtos. Mande e-mails para as marcas, pergunte para os vendedores, questione nas redes. Quanto mais transparente forem, mais próximas da sustentabilidade estão.

Por que a maioria da moda hoje ainda não é sustentável?

Muitas empresas não conseguem enxergar sua própria sustentabilidade dentro da moda sustentável.

As marcas que trabalham com foco na maior rotação possível dos produtos e em vendas em larga escala acabam encontrando dificuldade para se encaixar nos padrões ambientais e sociais que já explicamos.

Muitas marcas têm seus negócios baseados na vida curta dos produtos, praticando um valor barato. Ou seja, vendem com um preço baixo, um produto que será utilizado poucas vezes, estimulando a recompra de outro produto. Isso não pode ser uma moda sustentável.

Outras se alinham a mudanças curtas de tendências, estimulando os consumidores a abandonarem as peças ou produtos antigos, mesmo estando em ótimo estado, em busca de se enquadrar em uma nova tendência, que também durará pouco tempo.

Esse tipo de consumo é considerado fast fashion, e não se adequa dentro do que se acredita ser moda sustentável. Nele, se explora de maneira inconsequente os recursos naturais e os trabalhadores, aumentando também a quantidade de lixo produzido no mundo.

Para ir contra esse movimento, existe o Slow Fashion!

moda sustentável: mulher negra em blusa branca sorri, olha para a câmera e trabalha como estilista com a amiga.

Você sabe o que é Slow Fashion?

De acordo com um estudo da McKinsey, para cada cinco peças de moda novas produzidas por ano, três são descartadas. Outro estudo apontou que 90% de nossas roupas são descartadas antes do necessário.

Para alimentar essa indústria, empresas como a Zara, sozinha, produz cerca de 840 milhões de peças por ano, para vender em suas 6 mil lojas pelo mundo. As peças são produzidas em países em desenvolvimento, com salários dos trabalhadores abaixo do que se pode considerar justo.

Nesses países, as marcas também não precisam se preocupar com o meio ambiente. São inúmeros os rios poluídos na China, na Índia e em Bangladesh devido ao descarte inadequado de resíduos.

Na contramão de tudo isso, algumas marcas se recusam a trabalhar com essas condições e produzem uma moda que chamamos de Slow Fashion.

A moda Slow Fashion é sobre desenvolver, produzir, consumir e viver melhor. Não é sobre o tempo, embora o nome sugira em português “moda lenta”. É sobre qualidade.

Tem muito a ver com a escolha de fazer o que é certo, e não o que é mais fácil ou mais rentável. Tem a ver com informação, cultura, diversidade e identidade.

Marcas que vivem a realidade do Slow Fashion precisam praticar o equilíbrio, e isso requer uma combinação de criatividade, durabilidade e longo relacionamento com os processos e os clientes, em troca da entrega de produtos que não saem de moda e duram muito mais tempo.

Qual a diferença de moda sustentável e Slow Fashion

Como explicamos até aqui, a moda sustentável está muito relacionada com os impactos que a produção de artigos causam ao meio ambiente e à sociedade de modo geral.

Isso inclui não usar pesticidas no cultivo de matérias primas ou itens tóxicos no tingimento, não desperdiçar água, ter cuidado com a quantidade de resíduos produzidos, com o tipo de energia utilizada, com as embalagens, os tipos de transporte, a qualidade de vida de quem  trabalha na produção dos produtos, etc. A lista de práticas sustentáveis é infinita.

Mas o Slow Fashion, embora também tenha uma preocupação social, está mais focado na qualidade e na intenção para a qual esses produtos são produzidos. Trata-se de produzir roupas duráveis, estimular um consumo consciente, mantendo-se longe de tendências passageiras.

Os dois conceitos se unem em alguns momentos, pegam algumas ruas paralelas em outros, mas caminham juntos para a mesma direção de um planeta saudável, para o meio ambiente e para quem vive nele.

O que é upcycling na moda sustentável?

O conceito é simples. Na moda, upcycling é pegar uma roupa velha, gasta ou danificada e transformá-la em algo novo.

Ou seja, roupas que estão largas demais ou apertadas demais, que foram rasgadas, manchadas, esgarçadas, recebem um upgrade e são transformadas em produtos novos, prontos para serem utilizados novamente.

Lembra quando as roupas do irmão mais velho passavam para o irmão mais novo, com alguns remendos? Bem, é isso!

A única diferença é que, agora, os designers não se contentam em apenas deixar as roupas reutilizáveis. Eles trabalham para transformar os produtos, para que eles se tornem ainda mais incríveis do que eram no seu primeiro ciclo de vida.

Qual a diferença entre upcycling e reciclagem?

A reciclagem envolve a destruição de resíduos para transformá-los em algo novo. Enquanto que o upcycling pega o resíduo e transforma em algo novo a partir de suas próprias características.

Por exemplo, reciclagem é passar tecidos velhos ou usados por processos químicos e transformá-los em tecidos novos. No upcycling, usa-se esse mesmo tecido, com suas características iniciais e se transforma em um novo produto.

Ou seja, no upcycling, a forma original é mantida. O objeto inicial continua sendo reconhecível, e pode inclusive ser transformado em uma história. O vestido de noiva da mãe, que era moda no passado, pode ser transformado no vestido de noiva da filha, seguindo a moda atual, e ainda assim ser reconhecido pelas características iniciais.

Nesse sentido, o upcycling presta uma certa homenagem ao que foi, dando vida a algo novo. É um trabalho que exige muita criatividade e, no caso da moda, muito conhecimento técnico.

De uma maneira mais generalista, o upcycling diminui a necessidade de reciclagem.

Leia também: Dia Nacional da Reciclagem: a responsabilidade com os resíduos

Moda sustentável: Uma marca legal para conhecer!

O conceito de moda sustentável já conquistou o mundo. Hoje são inúmeras as marcas internacionais que buscam minimizar seus impactos. No Brasil, essa também já é uma realidade.

No Brasil, existem alguns exemplos de marcas de moda brasileiras que vão te inspirar e fazer com que você se conecte à moda sustentável.

Linus

Não tem jeito. Para pensar em moda sustentável, tem que haver uma revolução na forma que consumimos. E essa é a proposta da Linus, que tem a intenção de levar para as pessoas o senso de responsabilidade em relação ao que elas consomem.

Por isso, ela oferece sandálias veganas, 100% recicláveis, livres de metais pesados e feitas de um PVC ecológico. Mas, para que o consumo sustentável seja também confortável, elas têm palmilhas anatômicas que se adaptam aos pés.

Afinal, consumo sustentável é sempre melhor quando também é confortável. E ela oferece tudo isso com a garantia de 3 selos de certificação: eureciclo, Peta-Approved Vegan e Carbon Free.