3 de outubro | Dia Nacional da Abelha

Dia 3 de outubro é comemorado o Dia Nacional da Abelha. Estes insetos fascinantes ganharam essa data como homenagem e reconhecimento pela sua importância não só para os seres humanos, mas para toda a vida no planeta.

Quando se pensa em abelhas, a primeira imagem que vem à cabeça é quase sempre da Apis mellifera, aquela clássica abelha listrada amarela e preta com ferrão, que vivem em colmeias numerosas e produzem mel. No entanto, o universo das abelhas é muito mais amplo. São conhecidas cerca de 20 mil espécies de abelhas no mundo todo, contando com abelhas de tamanhos que variam desde a cabeça de um fósforo até 6 cm de comprimento; abelhas de diferentes formatos, algumas peludas, outras lisinhas; algumas têm listras amarelas e pretas, outras são verde e azul metálico; e há até mesmo abelhas sem ferrão. No quesito diversidade de abelhas, o Brasil é campeão, com uma estimativa de 2500 espécies de abelhas ao todo em território nacional – dentre essas, 300 espécies de abelhas sem ferrão –, a grande maioria se alimentando basicamente de pólen e néctar.

Nem todas são de colmeia como os desenhos mostram… 

Mais de 80% das abelhas não são sociais, ou seja, não formam colmeias, vivendo assim em ninhos individuais construídos em restos de madeira, principalmente, e não produzem mel, cera ou própolis. Porém, isso não diminui sua importância para o funcionamento ideal do planeta, visto que todas participam no processo de polinização. A polinização é um processo ecológico indispensável: é por meio dela que a maioria das plantas, em especial as angiospermas (aquelas que têm flores e frutos), se reproduzem. Essa reprodução gera os “filhos” dessas plantas, que por sua vez dão origem às flores que tanto apreciamos e às frutas e legumes que comemos.

Sendo assim, a “meliofilia”, como é chamada a polinização por abelhas (tanto sociais quanto solitárias), é um importante mecanismo para a produção de alimentos. Elas são responsáveis por polinizar cerca de 70% das espécies de plantas, gerando assim, aproximadamente, 35% da produção de alimentos global. Além disso, elas são os únicos polinizadores de certas plantas, logo, sem elas frutas como maçã, maracujá, cacau, morango, pimentão, amêndoas e castanhas desapareceriam.

 

As ameaças

Apesar de sua importância, as abelhas vêm enfrentando diversas ameaças que contribuem para o rápido declínio no número de indivíduos e espécies. E, por consequência, de outros animais e plantas. Uma das maiores ameaças é a perda de habitat natural, muitas vezes decorrente do desmatamento para plantio de monoculturas, resultando na diminuição de oferta de alimento, água e abrigo. Além disso, o uso de agrotóxicos está diretamente relacionado à morte de abelhas. E pode ocasionar desde desorientação até envenenamentos que afetam o sistema nervoso destes insetos, acarretando sua morte.

O comércio desregulamentado de colmeias e abelhas rainha é outra séria ameaça, pois favorece a propagação de doenças que enfraquecem as colmeias e o aparecimento de espécies invasoras (não nativas). Um exemplo foi o surgimento das vespas mandarinas, que atacaram enxames de abelhas melíferas (as abelhas “comuns”) no começo do ano de 2020. Por fim, as mudanças climáticas, que originam eventos climáticos extremos, afetam em demasia estes animais, que são especialmente vulneráveis a grandes períodos de seca e temperaturas excessivamente altas ou baixas.

 

A união desses fatores pode levar ao chamado “Distúrbio de Colapso de Colônias” (CCD, do inglês: “Colony Collapse Disorder”). Que vem ocorrendo em diversos países como Brasil, Estados Unidos, China, França, Alemanha e Reino Unido. Onde diversas colmeias são encontradas vazias ou com todas as abelhas dentro mortas. A hipótese de origem do CCD seria a junção do envenenamento por agrotóxicos e o estresse causado pela crescente dificuldade de acesso a alimento e água. Assim levando à morte de centenas de milhares de abelhas em um período tão curto quanto uma noite.

 

Pela sobrevivência das abelhas

Há diversas atitudes que podem ser tomadas para ajudar na sobrevivência das abelhas. Entre elas: o consumo de alimentos de origem orgânica, preferencialmente agrobiodiversa (isto é, diversas culturas interagindo entre si, em contraposição às monoculturas), assim garantindo diversidade de alimentos para elas e para nós; ter jardins com muitas flores e com períodos de floração diferentes, criando corredores verdes urbanos e diminuindo as distâncias que elas devem percorrer até seu alimento; fomentar a criação e ajudar na manutenção de hortas urbanas e coletivas em seu bairro; optar, sempre que possível, por frutíferas nativas na alimentação, visto que estas já estão adaptadas à polinização por abelhas nativas, assim fortalecendo a fauna e flora nacional; construir abrigos para abelhas solitárias feitos de argila, madeira, bambu e tijolos; e evitar consumo de mel e derivados, como cera e própolis de abelha, principalmente quando não há conhecimento da procedência dos mesmos.

 

 

Curiosidades

– Em 2009 foram consideradas os seres vivos mais importantes do mundo;

– Cada uma visita, em média, entre 50 e 1000 flores diariamente;

– Elas podem carregar até 300x o próprio peso;

– Cerca de 85% das espécies de abelhas não vivem em colmeias; são as chamadas solitárias. Nestes casos a mãe cuida de seu ninho e suas crias por conta própria;

– As abelhas são animais matriarcais. Nas colmeias, os machos (zangões) são expulsos; já entre as solitárias, o macho parte logo após fecundar a fêmea, que então permanece no ninho com as crias;

– Espécies de abelhas maiores acordam e vão trabalhar mais cedo, enquanto as espécies menores saem para voar mais tarde. Desta forma, existe uma espécie de abelha popularmente conhecida como mirim-preguiça (“pequena preguiça”) por conta do seu tamanho e de seu hábito de acordar tarde;

– São fundamentais, também, na produção de óleos, como de girassol, mamona e canola, e na produção de algodão não sintético;

– As abelhas estão presentes em crenças e religiões de diversas culturas ao redor do mundo, como na Grécia e Egito antigos, Irlanda, México e Brasil;

– São símbolos para diversas características como organização, reencarnação ou alma, pureza e virgindade, lirismo e vida eterna

 

Texto por: Stefano Montellato, educador e gestor ambiental em Irayá Ambiental
Todas as fotos são de autoria de Stefano

 

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