Qual o mundo que quero criar (e deixar) para minha filha?

Sou pai de uma linda menina de 3 anos. E todos os dias ela me faz ter um olhar diferente sobre o mundo. Passei a enxergar todas as suas complexidades como pai de menina e não somente como homem e marido. Mas confesso que tive que passar por algumas mudanças para me tornar mais consciente e poder educá-la para um mundo que, infelizmente, traz muitos desafios às mulheres. E isso me preocupa. 

Foi no dia  15 de maio de 2017, que a minha visão de mundo mudou para sempre. Por mais que os nove meses de gestação parecessem tempo suficiente para que minha ficha caísse, somente neste dia, a partir da primeira troca de olhares, foi que realmente eu entendi o quão profundo ia ser,

Por coincidência, ou não, a data do nascimento da Liz, está exatamente no meio de outras duas grandes mudanças pessoais. Em 2016, já empreendendo há cinco anos, me deparei com a necessidade de tomar decisões difíceis que beiravam a tênue linha entre a sobrevivência do meu negócio e a manutenção dos meus princípios morais e éticos. Falo isso, porque alguns dos meus concorrentes deliberadamente “esqueciam” dessa “palavrinha”. Mas, graças à formação correta que obtive dos meus pais, percebi ali que não me identificava mais com esse mundo do “business as usual”. Durante uma das minhas leituras, me deparei com o conceito dos negócios sociais e de impacto positivo. E a partir dali senti uma mudança de ares profissionais para uma direção mais coerente com o que eu penso do mundo. 

Na outra ponta, em abril de 2018, eu me tornava sócio da Positiv.a. E lá, meus sócios, minhas sócias e todo o time me fizeram perceber em profundidade o quanto o modelo de mundo atual não funciona mais. Esse modelo nos distanciou drasticamente da essência da vida, com suas práticas desumanas e desconectadas da nossa verdadeira natureza. Maltratamos a terra, a maior das nossas casas, desprezamos o nosso corpo, nos tornando escravos da nossa própria ganância. Produzindo efeitos desastrosos em todas as esferas do planeta.

 

Tornar o mundo melhor para elas poderem ser o que quiserem!

Que bom que o mundo dos negócios despertou para uma nova abordagem. Não tenho dúvidas que a busca pelo propósito além do lucro, aliado ao consumo mais consciente será uma das grandes viradas que precisamos. Além dessas mudanças, acrescento aqui, a necessidade de termos um mundo com mais lideranças femininas. Será um lugar melhor para todo. E a vida me deu a chance de educar a minha filha para que ela seja consciente de todos os desafios que terá como mulher. E, para isso, meu objetivo como pai é mostrar que ela é capaz de ser o que quiser e quando ela quiser. Apesar de todos os desafios que ela enfrentará em um mundo machista e desigual.

O mundo precisa de homens melhores. E esse é, talvez, meu primeiro grande passo para ajudar a construir o mundo que quero deixar para ela. Não tenho dúvidas que me cercando de pessoas boas, caridosas, de coração aberto, espiritualizadas no sentido real da palavra e através do exemplo, começando dentro de casa, a minha filha será como estas pessoas. Exemplos valem muito mais que conselhos e pretendo manter-me firme e coerente neste caminho.

Por Leandro Menezes, co-CEO da Positiv.a

Sobre Leandro Menezes

Leandro Menezes é co-CEO da Positiv.a, empresa B que cria soluções para cuidar da casa, do corpo e da natureza. Entrou no quadro societário da empresa em 2018 após realizar uma rodada de investimento por meio da Impulsum, venture capital que fundou com foco em negócios de impacto. Atualmente, divide o posto de CEO com Marcella Zambardino, uma das fundadoras da Positiv.a. Com vasta experiência no varejo, onde empreendeu por 8 anos, em finanças corporativas e gestão de negócios, é formado em Administração de Empresas, na PUC-SP, possui MBA em empreendedorismo pela B.I. International e já passou por empresas como Novartis e Gafisa.

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